Nos últimos 20 dias mais de 50 artigos de pesquisa sobre o Coronavírus (COVID-19) foram publicados o que permitiu um rápido compartilhamento de informações científicas sobre o vírus, mas questões sérias sobre as causas ou mecanismos de transmissão, período de incubação, avaliações de risco e opções para o tratamento eficaz ou a intervenção do vírus permanecem amplamente sem respostas.

O surto em curso de COVID-19na China se tornou a principal manchete de saúde do mundo e está causando sérios problemas de pânico. Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o novo surto de vírus corona é uma emergência de saúde pública de interesse internacional. O vírus já teve um impacto direto em mais de 10 milhões de pessoas na cidade de Wuhan e também atingiu outras partes da China, representando uma ameaça à saúde de magnitude desconhecida em todo o mundo. Em 8 de fevereiro de 2020, a OMS relatou 34.886 casos confirmados de COVID-19 em todo o mundo, com 34.589 ocorrendo na China (incluindo 6101 casos graves e 723 mortes). No total, 288 outros casos confirmados (com 1 óbito) foram relatados em 24 países, incluindo Japão, Austrália, Alemanha e Estados Unidos. No entanto, essas estimativas diárias devem aumentar ainda mais, já que os relatórios das autoridades de saúde da China ocorrem quase em tempo real e são feitas atualizações do painel do vírus no Johns Hopkins. Este surto fez com que governos de vários países adotassem medidas de proteção. Na China, ações de bloqueio, implementação de avisos, proibições e cancelamentos de viagens, prolongamento de feriados nacionais e fechamento de escolas ou adiamento de aulas foram realizadas. Ainda não existe umavacina para a prevenção ou tratamento da doença causada pelo vírus; suas origens e a extensão dessa epidemia permanecem desconhecidas.

Há relatos de escassez de pessoal médico, falta de clínicas que possam lidar e tratar pacientes infectados e uma alta demanda por máscaras faciais para proteção. O governo central da China está trabalhando com uma diligência extraordinária para mobilizar recursos, incluindo a construção de novos hospitais e o desenvolvimento de uma nova vacina contra o coronavírus, além de enviar especialistas médicos e clínicos para a cidade de Wuhan, a fim de ajudar a conter o surto de vírus altamente transmissível.

Como ainda não existe vacina para prevenir a doença de coronavírus 2019 (COVID-19).O público foi aconselhado por várias autoridades de saúde a reduzir as viagens e permanecer em casa como um meio básico de limitar a exposição das pessoas ao vírus. As autoridades de saúde, incluindo a Comissão Nacional de Saúde da República Popular da China, Organização Mundial de Saúde (OMS), e Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), emitiram recomendações de segurança para tomar precauções simples para reduzir a exposição e a transmissão do vírus como:

  •  Evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • Evitar tocar seus próprios olhos, nariz e boca;
  • Ficar em casa quando estiver doente;
  • Cobrir sua tosse ou espirro com um lenço de papel e jogá-lo no lixo
  • Limpar e desinfetar os objetos e superfícies tocados com frequência, usando um spray com álcool etílico a 60-70% e pano de limpeza doméstico comum;
  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, principalmente depois de ir ao banheiro; antes de comer; e depois de assoar o nariz, tossir ou espirrar.Se água e sabão não estiverem prontamente disponíveis, use um desinfetante para as mãos à base de álcool com pelo menos 60 a 70% de álcool. Sempre lave as mãos com água e sabão se as mãos estiverem visivelmente sujas.

O CDC não recomenda que as pessoas que estão bem usem uma máscara facial para se proteger de doenças respiratórias, incluindo o COVID-19.As máscaras faciais devem ser usadas por pessoas que apresentam sintomas do COVID-19 para ajudar a impedir a propagação da doença a outras pessoas. O uso de máscaras faciais também é crucial para os profissionais de saúde e as pessoas que cuidam de alguém em locais próximos (em casa ou em um estabelecimento de saúde).

As pessoas que acham que podem ter sido expostas ao COVID-19 devem entrar em contato com seu médico imediatamente.

Sistema imunológico e atividade física

Na China, as restrições impostas às viagens e às diretrizes contra a participação em atividades ao ar livre, incluindo atividades físicas regulares, interromperam inevitavelmente as atividades diárias de rotina de milhões de pessoas. Embora conter a transmissão do vírus o mais rápido possível seja a prioridade de saúde pública urgente, houve poucas diretrizes de saúde pública para a população sobre o que poderiam ou deveriam fazer em termos de manutenção de suas rotinas diárias de exercícios ou atividades físicas. Indiscutivelmente, ficar em casa, embora seja uma medida segura, pode ter consequências negativas não intencionais, já que esses esforços para evitar a transmissão de vírus de humano para humano podem levar à redução da atividade física. É provável que ficar em casa por um tempo prolongado possa levar a um aumento de comportamentos sedentários, como gastar muito tempo sentado, reclinado ou deitado em atividades como jogar, assistir televisão, usar dispositivos móveis; reduzir a atividade física regular (portanto, menor gasto de energia).  Portanto, existe uma forte lógica de saúde para a continuidade da atividade física em casa para se manter saudável e manter a função do sistema imunológico. O exercício físico em casa é adequado para manter os níveis de condicionamento físico. Essas formas de exercício podem incluir, entre outras, exercícios de fortalecimento, atividades de equilíbrio e controle, exercícios de alongamento ou uma combinação destes. Exemplos de exercícios em casa incluem caminhadas, conforme necessário, levantar e transportar mantimentos, subir escadas, sentar-se e ficar em pé numa cadeira ou no chão, agachamentos e exercícios abdominais. Além disso, os exercícios tradicionais comoTai Ji Quan, Qigong, e Ioga devem ser considerados, pois não requerem equipamentos, podem ser realizados em espaços limitados e podem ser praticados a qualquer momento. O uso de vídeos de exercícios que se concentram no incentivo da atividade física através da Internet, tecnologias móveis e televisão, são outros caminhos viáveis ​​para manter a função física e a saúde mental durante esse período crítico. Medidas oficiais que restringem os movimentos das pessoas durante esta crise do COVID-19 não significa necessariamente que a atividade física deva ser limitada ou que todas as formas de exercício devam ser totalmente eliminadas. Demonstrou-se que o exercício tem benefícios claros para a saúde de indivíduos saudáveis e de pacientes com várias doenças. A indicação é realizar pelo menos 30 minutos de atividade física moderada todos os dias e / ou pelo menos 20 minutos de atividade física vigorosa a cada dois dias. O ideal seria uma combinação destes dois tipos de atividades físicas, além de praticar regularmente atividades do tipo fortalecimento. Crianças, idosos e aqueles que já experimentaram sintomas de doenças anteriormente ou são suscetíveis a doenças cardiovasculares ou pulmonares devem procurar aconselhamento junto dos profissionais de saúde sobre quando é seguro exercitar-se. As preocupações com a crescente disseminação do COVID-19, é imperativo que sejam seguidas as precauções de controle de infecção e segurança. A permanência em casa é uma etapa fundamental de segurança que pode impedir que as infecções se espalhem amplamente. Porém, estadias prolongadas em casa podem aumentar comportamentos que levam à inatividade e contribuem para ansiedade e depressão, que por sua vez podem levar a um estilo de vida sedentário conhecido por resultar em uma série de condições crônicas de saúde. Manter a atividade física regular e exercitar-se rotineiramente em um ambiente doméstico seguro é uma estratégia importante para uma vida saudável durante a crise do COVID-19.

Sistema imunológico e as viroses

Como ainda não existe vacina para o COVID-19 e ainda se sabe muito pouco sobre a imunidade adquirida, ou seja, sobre a produção de anticorpos após a exposição a este vírus, as medidas de controle de exposição e de prevenção ao contágio são de fundamental importância, contudo, não há necessidade de pânico.Com os dados atuais disponíveis, a comunidade científica acredita que esse novo vírus não seja mais contagioso que o vírus influenza. Nesse momento, ambos parecem ter taxas de transmissão semelhantes e taxas de fatalidade mantendo-se estáveis ​​em cerca de 2%.Existem investigações em andamento para saber mais. Esta é uma situação em rápida evolução e as informações serão atualizadas assim que estiverem disponíveis.Os dados no momento dizem para tratar esse surto de vírus da mesma forma que trataríamos outros agentes respiratórios, como o resfriado ou gripe comum.

Podemos considerar também a ação do sistema imunológico inato ou celular, que tem sido muito estudado. Na década passada houve uma explosão em nossa capacidade de investigar e entender as respostas antivirais das células TCD8+.A resposta mediada pelas células T é extremamente efetiva no mecanismo de defesa contra agentes intracelulares, como vírus. As células Tpodem exercer sua função através da citotoxicidade mediada por células CD8+ ou através da secreção de citocinas que vão ativar macrófagos para destruir os agentes intracelulares.Embora as células TCD8+ geralmente não possam fornecer imunidade esterilizante a vírus, eles contribuem muito para o controle de infecções virais de um modo geral. Por isso, nos cuidados com o COVID-19 devemos tomar precauções típicas, como tomaríamos para o vírus influenza, como higiene das mãos, evitar pacientes doentes, planos de viagem cuidadosos. A implementação do sistema imunológico inato através de boas práticas de higiene, alimentação saudável, exercícios físicos regulares podem ajudar no controle de qualquer tipo de infecção, inclusive viral.

Estudos pré-clínicos com medicamentos homeopáticos complexos realizados aqui no Brasil demonstraram que a fórmula designada como M1 nos estudos, melhora a capacidade do sistema imunológico inato incluindo modulação dos níveis de citocinas, atividade de macrófagos e aumento de número de precursores de células T na medula óssea de camundongos submetidos à experimentação. Não podemos afirmar que a utilização deste medicamento homeopático possa ajudar no controle da doença causada pelo COVID-19, pois não foram realizados testes específicos nem estudo clínicos adequados, mas há uma possibilidade que o mundo científico possa se abrir para estes estudos, considerando o enorme desafio que estas pandemias representam.

Referências Bibliográficas

  1. Chenet al. Coronavirus disease (COVID-19): The need to maintain regular physicalactivity while taking precautions. Journal of Sport and Health Science.v. 9, Issue 2, March 2020, Pages 103-104.
  2. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/index.html
  3. https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/situation-reports/20200202-sitrep-13-ncov-v3.pdf
  4. de Oliveira et al. BMC Complementary and Alternative Medicine 2011, 11:101.
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