A força dos imunomoduladores homeopáticos

Estudos coordenados pela pesquisadora Dorly Buchi apontam ação potencializadora do medicamento no sistema imunológico em modelos experimentais de câncer

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om o avanço do câncer – em 2018, foram mais de 600 mil casos no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer, ligado ao Ministério da Saúde – o sistema imunológico ganhou a atenção da medicina, por conta de seu papel de defesa do organismo. São estudos de diversas vertentes que buscam alternativas para otimizar esse sistema biológico, elevando sua eficiência.
Na área da medicina homeopática, um dos grandes destaques nesse sentido são os chamados imunomoduladores homeopáticos, que possuem uma ação potencializadora das defesas orgânicas e promovem o fortalecimento da imunidade de forma natural, sem apresentar contraindicações, o que eleva a qualidade de vida do paciente.
O assunto tornou-se objeto de atenção do grupo de estudo da Profa. Dra. Dorly de Freitas Buchi, que estudou as ações imunoduladoras de medicamentos homeopáticos complexos no Laboratório de Pesquisa em Células Neoplásicas e Inflamatórias da Universidade Federal do Paraná (UFPR), entre 1998 e 2017.

Ambiente

O escopo de trabalho do grupo sobre os imunomoduladores homeopáticos envolveu o desenvolvimento de 15 trabalhos científicos publicados em periódicos internacionais, que apontaram que, entre as fórmulas estudadas, as designadas como M1 e M8 apresentaram ações mais eficazes. “Com esse tipo de medicamento, o sistema imunológico agirá de forma mais eficaz no combate aos agentes infecciosos e também no controle dos tumores, uma vez que sua ação é fundamental para controlar o surgimento de metástases”, sugere os estudos da dra. Dorly.

Segundo a pesquisadora, foram analisados macrófagos isolados, células percursoras dos leucócitos na medula óssea e células dos linfonodos, além de dosagem de citocinas, óxido nítrico e espécies reativas de oxigênio, com o objetivo de analisar a ação dos medicamentos homeopáticos nos tumores.

É bem conhecido que na fase inicial de formação de alguns tipos de tumores pode ocorrer um processo inflamatório, o que provoca forte reação imunológica. Além disso, a interação entre o sistema imune inato e adaptativo ocorre por meio de alguns leucócitos, com destaque aos macrófagos e células dendríticas, linfócitos CD4 e CD8, células CD45 que eliminam a maioria das células com tendência tumoral. As células T CD8 tornam-se células de memória, tornando-se reativas a um subsequente encontro com antígeno tumoral.

Apesar da resposta inflamatória ocorrer na tentativa de eliminar as células tumorais emergentes, o microambiente tumoral leva a um desequilíbrio bioquímico com o aumento de espécies reativas de oxigênio, como ânion superóxido e peróxido de hidrogênio, bem como o aumento de citocinas pró-inflamatórias como fator de necrose tumoral, o que favorece o surgimento de mecanismos de escape ao controle imunológico, permitindo a progressão tumoral.

Menos câncer

Segundo os estudos comandados pela pesquisadora da UFPR, a ação do M8 demonstrou um aumento da ativação de macrófagos, porém reduzindo os níveis de espécies reativas de oxigênio e diminuição dos níveis do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), principal medidor da resposta inflamatória e responsável por diversas complicações sistêmicas de infecções graves.

Os pacientes portadores de câncer e em tratamento com quimioterapia apresentam grande debilidade física. Já os pacientes que fizeram uso do M8 como tratamento adjuvante da quimioterapia relataram manter o apetite normal, ausência de perda de peso e resistência orgânica. Essa condição pode ser justificada pela diminuição do fator de necrose tumoral pelo M8.

Outros ganhos obtidos e provados, de acordo com a pesquisadora, foi o aumento da atividade antitumoral de linfócitos. Os linfócitos citotóxicos são um tipo de células do sistema imunológico que, ao serem ativadas, são responsáveis pela destruição de células infectadas ou células tumorais. Ao serem ativados com o M8, eles destruíram as células tumorais com mais eficácia do que os linfócitos que não receberam tratamento.

As análises feitas com a aplicação do M1 identificou uma redução da metástase e do tamanho dos tumores nos pulmões dos camundongos participantes da pesquisa, além da diminuição da proliferação das células tumorais e da angiogênese (formação de vasos sanguíneos). “A redução da angiogênese constitui um importante mecanismo antitumoral, por conta da redução da carga de oxigênio e nutrientes para as células tumorais”.

De acordo com Dorly, o M8 e o M1 aumentaram a imunidade celular, além da imunidade humoral. “O tratamento com M1 demonstrou uma ação geral no sistema imunológico dos pacientes, elevando os dois tipos de imunidade, o que é importante para combater a evolução de várias doenças, incluindo alguns tipos de câncer”.

Benefícios

Além das ações comprovadas nos estudos feitos pela pesquisadora, a ação terapêutica adjuvante aos tratamentos convencionais contra o câncer, adaptados em qualquer situação de debilidade do organismo – a baixa toxidade e o custo atrativo colocam os imunomoduladores homeopáticos como uma alternativa a ser adotada pelos pacientes com câncer para auxiliar na briga contra a doença. “São complexos homeopáticos altamente diluídos, não apresentam mutagenicidade, modulam o sistema imunológico e são acessíveis para a aquisição”, atesta o estudo.

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