Resenha

A insônia é uma queixa comum, com aproximadamente 30% da população geral e é frequentemente associada ao desenvolvimento de vários distúrbios somáticos e psicológicos como ansiedade e depressão.Em indivíduos com mais de 65 anos de idade as taxas de prevalência de insônia são de até 70%. Pessoas com insônia frequentemente se queixam de fadiga, alterações de humor, dificuldade de concentração e relatam comprometimento do funcionamento diurno, diminuição da produtividade no trabalho e aumento da ocorrência de acidentes de trabalho e de veículos.A Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que a propensão ao uso de medicamentos à base de plantas está aumentando no auxílio de distúrbios do sono. Muitas pessoas usam plantas medicinais isoladas ou em uma fórmula combinada para o tratamento de doenças como insônia e distúrbios de humor. A associação de fitoterapia, medidas de Higiene do sono, terapia cognitivo comportamental e outras práticas de tradições orientais como Ioga, Tai Chi, Acupuntura e Meditação, podem ser eficazes nos tratamentos da insônia e assim ajudar a restabelecer ou manter uma boa qualidade de sono. Estas ações podem diminuir a utilização de medicamentos que causam dependência e comprometem a memória, a atenção e o desempenho psicomotor de seus usuários.

Introdução

A insônia é uma queixa comum, com aproximadamente 30% da população geral relatando sintomas como dificuldade em adormecer, dificuldade em manter o sono, má qualidade do sono ou acordar muito cedo. A insônia é frequentemente associada ao desenvolvimento de vários distúrbios somáticos e psicológicos como ansiedade e depressão. Devido à sua natureza crônica, a insônia também está associada a prejuízos significativos na qualidade de vida e na produtividade do trabalho de um indivíduo, bem como a um aumento da ocorrência de acidentes de trabalho e de veículos. Por essas razões, a insônia impõe uma enorme carga econômica à sociedade, não apenas por causa das despesas médicas diretas, mas também por causa das consequências sócio profissionais. Na Classificação Internacional de Distúrbios do Sono, a insônia é considerada crônica quando persiste, no mínimo, por três meses com uma frequência de três vezes por semana e é definida como insônia aguda quando persiste por menos de três meses. Uma pesquisa recente do Instituto Nacional sobre Envelhecimento (NIA) nos EUA constatou que 42% dos pacientes idosos relataram dificuldades com o início e a manutenção do sono. Em indivíduos com mais de 65 anos de idade as taxas de prevalência de insônia relatadas foram de 50 a 70%. Várias doenças psiquiátricas (ansiedade ou depressão) também alteram o padrão do sono. Pessoas com insônia frequentemente se queixam de fadiga, alterações de humor, dificuldade de concentração e comprometimento do funcionamento diurno. Portanto, a detecção e o tratamento precoces da insônia são muito importantes.  Aqui iremos relatar algumas pesquisas recentes e suas conclusões sobre abordagens não medicamentosas, mas sim ações e alguns fitoterápicos mais utilizados para auxiliar no tratamento da insônia.

Estratégias alternativas para tratamento da Insônia

estudo realizado em Taiwan observou a insônia entre os idosos urbanos durante um mês e teve como objetivo determinar a prevalência de insônia crônica e conhecer as opiniões e atitudes desses idosos em relação à insônia e o método de tratamento que eles escolheram adotar. Dos 1.358 participantes, 41,4% preencheram os critérios para insônia, sendo as mulheres mais propensas a sofrer do que os homens. Neste estudo, encontrou-se alta prevalência de insônia com duração superior a 1 ano (60%), enquanto a insônia de 1 mês foi menos prevalente (15,7%). A prevalência de distúrbios iniciais do sono foi maior do que a dos distúrbios do sono ocorridos mais tarde da noite. Viver sozinho, doenças crônicas e estados de depressão e ansiedade são fatores que podem aumentar a correlação de insônia em idosos. Das diferentes estratégias usadas para lidar com os distúrbios do sono, o método mais comum foi a mudança de comportamento (higiene do sono) (44%). Cerca de metade dos idosos participantes optou por tratar a insônia com medicação, enquanto a outra metade optou por não. O motivo mais frequentemente relatado para não empregar medicação foi o medo de dependência (67%).

Os tratamentos convencionais para insônia geralmente incluem medicamentos ou tratamentos psicológicos. Os medicamentos comumente usados para insônia são os chamados hipnóticos não-benzodiazepínicos. Embora estes sejam frequentemente considerados mais seguros do que os benzodiazepínicos, devido à meia-vida mais curta e à interrupção reduzida da arquitetura normal do sono, ainda podem trazer efeitos adversos, como amnésia, comprometimento do desempenho psicomotor, fadiga diurna, tolerância e dependência.

Outras estratégias não farmacêuticas utilizadas foram terapia cognitiva, terapia multicomponente e tratamento à base de plantas da medicina alternativa/complementar que também mostraram ser bem-sucedidas no tratamento de distúrbios do sono em populações idosas. Adicionalmente, várias outras modalidades, como Tai Chi, acupuntura, ioga e meditação, demonstraram melhorar os parâmetros do sono.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que a propensão ao uso de medicamentos à base de plantas está aumentando no auxílio de distúrbios do sono. Muitas pessoas usam plantas medicinais isoladas ou em uma fórmula combinada para o tratamento de doenças como insônia e distúrbios de humor. Algumas das plantas mais utilizadas serão relatadas a seguir.

Fitoterápicos mais utilizados no tratamento da insônia

A Melissa officinalis (erva-cidreira) é conhecida como tônico cardíaco, também tem efeitos ansiolíticos e antidepressivos e melhora a qualidade do sono, reduz a palpitação em pacientes ansiosos. Num estudo piloto, usando extrato padronizado de Melissa officinalis, os distúrbios de ansiedade e distúrbios de sono leves a moderados foram melhorados1.

Os extratos da raiz de Valeriana officinalis L. são tradicionalmente utilizados por suas propriedades sedativas e ansiolíticas e também são utilizados para relaxamento muscular2, melhorando a qualidade e quantidade do sono.

A Kava-Kava (Piper metysticum) é recomendada em estágios leves a moderados de insônia em curto prazo, a dose diária recomendada varia de acordo com a concentração de Kavapironas, de 60 a 210mg ao dia. É uma planta desprovida de propriedades hipnóticas e que aumenta a percentagem de sono profundo, mas o seu uso crônico pode causar hepatotoxicidade e ainda pode potencializar a ação de medicamentos de ação central tais como barbitúricos e psicofarmacos. Assim, a Kava-kava é uma planta que deve ter prescrição médica para sua utilização, assim como a Valeriana.

A Camomila (Matricariachamomilla) e o Maracujá (Passiflora incarnata) são plantas tradicionalmente usadas e consideradas seguras, mas não são recomendadas para gestantes principalmente do primeiro trimestre e, em crianças menores de três anos a dose deve ser de 1∕6 a 1∕4 da dose do adulto3.

Um estudo recente demonstrou que os níveis de melatonina no sangue aumentaram significativamente na população total após a intervenção com aromaterapia com óleo essencial de lavanda (Lavandulaangustifolia). A aromaterapia também favorece o aumento dos níveis de melatonina no sangue em homens e mulheres idosos. Fisiologicamente, os níveis de melatonina no sangue diminuem à medida que a pessoa envelhece.

Uma planta da Medicina Tradicional Chinesa, a Ziziphus jujuba var. spinosa está sendo avaliada cientificamente para justificar sua eficácia na insônia leve a moderada. Encontrou-se que os metabólitos secundários da Ziziphusspinosa modulam a atividade GABAérgica e o sistema serotoninérgico4. Esta planta é encontrada em composições fitoterárapicas chinesas como: Gui Pi Tang (indicada para pessoas com pensamentos excessivos, excesso preocupação/de estudos, insônia inicial); SuanZaoRen Tang (fobias, crises depressivas, insônias)

Considerando o conjunto dos resultados de estudos recentes sobre insônia podemos sugerir que a associação de ações simples como medidas de higiene do sono, beber uma xícara de chá com ervas apropriadas e adicionar óleo de lavanda no banho algumas horas antes de deitar-se pode auxiliar a combater a insônia e melhorar a qualidade do sono.

Veja algumas medidas para ``Higiene do sono``

  • Evitar e minimize o uso de cafeína, cigarros, estimulantes, álcool e outros medicamentos;
  • Se clinicamente possível, aumentar o nível de atividade à tarde ou no início da noite (não perto da hora de dormir) andando ou se exercitando ao ar livre;
  • Aumentar a exposição à luz natural e à luz brilhante durante dia e madrugada;
  • Evitar cochilar, principalmente depois das 14:00; limitar o cochilo a 1 soneca a menos de 30 min;
  • Verificar o efeito dos medicamentos para as doenças crônicas no sono;
  • Ir para a cama apenas quando estiver com sono;
  • Manter a temperatura confortável no quarto;
  • Minimizar a exposição à luz e ao ruído o máximo possível;
  • Comer um lanche leve se estiver com fome, evitar refeições pesadas na hora de dormir;
  • Limitar líquidos à noite;
  • Descansar e se recolher no mesmo horário todos os dias;
  • Alimentar-se e exercitar-se em horários regulares;
  • Adotar medidas de controle do estresse como: tolerância a ocasional falta de sono; discutir preocupações e eventos estressantes em um tempo muito anterior ao de ir dormir; usar técnicas de relaxamento.

Conclusão

A associação de fitoterapia, medidas de Higiene do sono, terapia cognitivo comportamental e outras práticas de tradições orientais como Ioga, Tai Chi, Acupuntura e Meditação, podem ser eficazes nos tratamentos da insônia e assim ajudar a restabelecer ou manter uma boa qualidade de sono. Estas ações podem diminuir a utilização de medicamentos que causam dependência e comprometem a memória, a atenção e o desempenho psicomotor de seus usuários.

Consulte sempre um profissional de saúde que o ajude a adotar comportamentos adequados para melhorar sua qualidade de vida, lembre-se que investir em saúde é não gastar com doença.

Nós na Homeoterápica Farmácia de Manipulação contamos com uma equipe de farmacêuticos aptos a auxiliar na busca por melhores soluções em saúde.

  1. Ranjbar M. et al. Integrative Medicine Research Volume 7, Issue 4, December 2018, Pages 328-332.
  2. Abdellah S.A. et al. JournalofTraditionalandComplementary Medicine (in press)
  3. https://aps.bvs.br/aps/quais-plantas-medicinais-e-fitoterapicos-podem-ser-utilizados-de-forma-segura-e-eficaz-para-disturbios-do-sono/
  4. Shergis J.L. et al. Phytomedicine, Volume 34, 15 October 2017, Pages 38-43
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