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insônia é uma queixa comum em aproximadamente 30% da população geral. Sintomas como:  dificuldade em adormecer, dificuldade em manter o sono, má qualidade do sono ou acordar muito cedo, estão frequentemente associados ao desenvolvimento de vários distúrbios somáticos e psicológicos como ansiedade e depressão.

Na Classificação Internacional de Distúrbios do Sono, a insônia é considerada crônica quando persiste, no mínimo, por três meses com uma frequência de três vezes por semana e é definida como insônia aguda quando persiste por menos de três meses.

Um estudo focado especificamente na insônia aguda relatou uma prevalência de 7,9% em uma amostra do Reino Unido, com uma incidência anual de 36,6%. A insônia aguda é desencadeada por um estressor – como conflitos interpessoais, estresse no trabalho, mudança temporária de horário ou local, uma nova situação que requer ajuste ou abuso temporário de uma substância estimulante lícita ou ilícita – e geralmente é aliviada quando o estressor não está mais presente.

A insônia crônica pode trazer prejuízos significativos na qualidade de vida e na produtividade do trabalho de um indivíduo, bem como a um aumento da ocorrência de acidentes de trabalho e de veículos. Entre indivíduos com mais de 65 anos de idade as taxas de prevalência de insônia crônica são de 50 a 70%. Uma pesquisa do Instituto Nacional sobre Envelhecimento (NIA) nos EUA constatou que 42% dos pacientes idosos relataram dificuldades com o início e a manutenção do sono.

Os tratamentos convencionais para insônia geralmente incluem medicamentos hipnóticos não-benzodiazepínicos, embora estes sejam considerados mais seguros do que os benzodiazepínicos, ainda podem ocorrer efeitos adversos, como amnésia, comprometimento do desempenho psicomotor, fadiga diurna, tolerância e dependência. A intervenção precoce para interromper o progresso dos distúrbios do sono e evitar o uso desnecessário de medicamentos é importante. Por esses motivos, algumas abordagens da medicina complementar são procuradas para o tratamento da insônia.

De acordo com uma pesquisa nacional nos Estados Unidos em 2002, mais de 1,6 milhão de adultos relataram ter usado medicina complementar e alternativa para tratar insônia das quais abordagens biológicas, como ervas, terapias baseadas em dieta ou medicina nutricional, foram as intervenções mais usadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que a propensão ao uso de medicamentos à base de plantas está aumentando para esta finalidade. Muitas pessoas usam plantas medicinais isoladas ou em uma fórmula combinada para o tratamento de doenças como insônia e distúrbios de humor.

A Melissa officinalis (erva-cidreira) é conhecida como tônico cardíaco, também tem efeitos ansiolíticos e antidepressivos e melhora a qualidade do sono, reduz a palpitação em pacientes ansiosos. Num estudo piloto, usando extrato padronizado de Melissa officinalis, os distúrbios de ansiedade e distúrbios de sono leves a moderados foram melhorados1.

Os extratos da raiz de Valeriana officinalis L. são tradicionalmente utilizados por suas propriedades sedativas e ansiolíticas e também são utilizados para relaxamento muscular2, melhorando a qualidade e quantidade do sono.

A Ziziphus jujuba var. spinosa é uma planta da Medicina Tradicional Chinesa que está sendo avaliada cientificamente para justificar sua eficácia na insônia leve a moderada, encontrou-se que os metabólitos secundários da Ziziphus spinosa modulam a atividade GABAérgica e o sistema serotoninérgico3. Esta planta é encontrada em composições fitoterárapicas Chinesas como: Gui Pi Tang (indicada para pessoas com pensamentos excessivos, excesso preocupação/de estudos, insônia inicial);  Suan Zao Ren Tang (fobias, crises depressivas, insônias) e  Tian Wan Bu Xin Dan (insônia, palpitações, amnésia, ansiedade).

Outras estratégias não farmacêuticas, como higienização do sono, terapia cognitiva, práticas de Tai Chi, acupuntura, ioga e meditação, também melhoraram os parâmetros do sono. A busca por um profissional de saúde é imprescindível para orientação adequada e para se obter melhores resultados.

A busca por um profissional de saúde é imprescindível para orientação adequada e para se obter melhores resultados.

 

  1. Ranjbar M. et al. Integrative Medicine Research Volume 7, Issue 4, December 2018, Pages 328-332.
  2. Abdellah S.A. et al. Journal of Traditional and Complementary Medicine (in press)
  3. Shergis J.L. et al. Phytomedicine, Volume 34, 15 October 2017, Pages 38-43

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